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Uma aventura feminina no jornalismo

“Manuela de Azevedo tinha 22 anos quando se aventurou no mundo masculino do jornalismo, nos anos 1930. Mais tarde, tornou-se a primeira mulher a receber a carteira profissional de jornalista em Portugal”. Começa assim uma reportagem de Carolina Reis publicada, esta semana, no sítio do jornal “Expresso”, que cedeu à Casa da Imprensa o video que encontra nesta notícia.

» A primeira jornalista

O lançamento do seu livro “Memória de uma Mulher de Letras”, na terça-feira passada, na Fundação Mário Soares, em Lisboa, foi o pretexto.
 
Manuela Azevedo é a mais antiga entre as associadas da Casa da Imprensa (foi admitida em 30 de Agosto de 1957). Hoje com 98 anos, foi jornalista durante 70. O seu interesse pelo jornalismo despertou com o jornal “O Século”, onde o seu pai era correspondente. Mais tarde lança um livro de poemas intitulado “Claridade”, com prefácio de Aquilino Ribeiro, e entra depois para o mundo do jornalismo, no Jornal “República”. Esteve vários anos no “Diário de Lisboa”, onde rubricou dezenas de reportagens, e terminou a sua carreira profissional no “Diário de Notícias”, destacando-se na reportagem e na crítica teatral. Para além do trabalho como jornalista, Manuela de Azevedo escreveu e publicou dezenas de livros, de poesia, contos, novelas, ensaios, biografias, crónicas, romance e peças de teatro. No local, estará patente uma exposição com as obras da autora.
 
Em Dezembro, durante a apresentação feita no Museu Nacional da Imprensa, com a presença do ministro Jorge Lacão, Manuela de Azevedo anunciou a preparação de mais duas obras novas.
 
Neste livro de memórias, co-editado pelo Museu Nacional da Imprensa (MNI) e pelas Edições Afrontamento, Manuela Azevedo recorda episódios do tempo da censura, quando os seus textos passavam pelo lápis azul, como a peça de teatro “A Dona de Casa”, escrita em conjunto com José Ribeiro dos Santos e que foi censurada, no ensaio geral. Antes, um texto sobre a eutanásia também foi sujeito ao “proibido” do regime de Salazar. A autora recorda Humberto Delgado, Henrique Galvão, o ex-rei Humberto de Itália e muitas outras figuras do século XX. O livro é prefaciado pelo director do MNI, Luís Humberto Marcos, tem 230 páginas e está dividido em cinco capítulos: “Nascimento e Infância”, “No país da Juventude”, “À La minute”, “Ossos do Ofício” e “Para um Mundo Melhor”.
 
“Aos 98 anos, a jornalista partilha agora as suas histórias, muitas delas escritas ainda a pena”, escreve Carolina Reis ao cair do pano do seu trabalho de Reportagem.
 
A Casa da Imprensa agradece ao jornal “Expresso” as facilidades concedidas.

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